Um momento simples, mas carregado de significado, emocionou a equipe do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap-UFMS), vinculado a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Miguel Felipe, um guerreiro de apenas quatro meses de vida, fez seu primeiro passeio terapêutico fora da UTI Neonatal. No dia 23, pela primeira vez, ele pôde sentir a luz do sol em seu rosto e ser levado para além das paredes que o acolhem desde o nascimento. 

Nascido em 8 de janeiro, com apenas 25 semanas e 2 dias de gestação e pesando 800 gramas, Miguel é um verdadeiro sobrevivente. Já são 140 dias de internação, dos quais 102 foram em ventilação mecânica, 4 em ventilação não invasiva, 24 com uso de oxigênio suplementar — e, finalmente, há mais de 10 dias respira sozinho em ar ambiente, mesmo com a traqueostomia. 

Acompanhado pela médica neonatologista Ana Paula Lanza, pelo fisioterapeuta Douglas Fernandes Orikassa e pelo acadêmico de Fisioterapia Inácio Goulart, o passeio foi cuidadosamente planejado. Foi um momento só dele — diferentemente do tradicional passeio terapêutico realizado semanalmente na UCIN (Unidade de Cuidados Intermediários Neonatal), Miguel teve seu dia especial por conta da complexidade do caso e da delicadeza de sua trajetória. 

A mãe, Nathaly Jesus da Silva, recorda com emoção os primeiros momentos difíceisNunca tinha passado por isso... sempre que via um bebê nascer, ele chorava, e o meu não chorou. Mas fui acolhida. A equipe conversava comigo, me acalmava, explicava cada passo. Uma assistente social me disse algo que nunca esqueci: ‘Às vezes a gente dá um passo pra frente e dois pra trás, mas tudo bem. Deus sabe de todas as coisas, e ele vai ficar bem’. Hoje vejo que ela estava certa.” 

No mês em que se comemora o Dia Mundial do Método Canguru (15 de maio), o caso de Miguel reforça a importância da humanização no cuidado neonatal. O carinho, o acolhimento e o envolvimento das equipes multiprofissionais são fundamentais para fortalecer vínculos, reduzir o tempo de internação e favorecer o desenvolvimento dos bebês prematuros. 

A história de Miguel ainda está sendo escrita — e cada capítulo é um sopro de esperança. No rosto dele, o reflexo do sol; nos olhos da mãe, a fé inabalável. 

Miguel é luz. Miguel é luta. Miguel é amor. 

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